terça-feira, 30 de setembro de 2008

Coração de mãe...

Domingo é dia de organizar as idéias. Nesse que passou, conversava com minha mãe sobre os preparativos da viagem. Nada mais óbvio, ok? Como também não é de se estranhar que ela esteja mais nervosa que eu. Enquanto conduzo calmamente a parte logística, com até certo desdém, dona Sandra franze a testa para o tempo corrido de arrumação da mala, para as roupas que preciso separar, toalhas, lençóis, produtos de higiene, livros...

– Não deixe tudo para a última hora – pede, com o olhar compassivo.

Sim, eu sei, é bem coisa de mãe. O coração dela deve estar pequeno, pequeno, pequeno. No meu sossego mundano, está tudo certo. Até porque vou passar quarta e quinta-feira em casa, à mercê dessas tarefas. É suficiente. A manhã de sexta vai servir apenas para depositar a cereja em cima do bolo.

Aliás, por falar em véspera, recebi uma dica valiosa: de quinta para sexta não dormir. Como meu embarque é às 17h15 (de Brasília) – chego às 6h10 (de Lisboa) –, o ideal é emendar tudo e deixar o sono acumular. É até bom: a não sei quantos pés de altura, sobrevoando o Atlântico, é que a ansiedade vai bater. Ainda mais porque vou começar a me preocupar com algo que realmente me aflige: dinheiro.

Mas isso são cenas de um próximo capítulo.

sábado, 27 de setembro de 2008

Vontade de lágrimas

Um turbilhão de sensações me invadiu nesses últimos dias. Sinto sem pensar, penso sem sentir... difícil catalogar tudo. Vêm e voltam, sem que eu peça, sem que eu permita.

Por que esse medo? Por que essa necessidade constante de me explicar a mim e ao mundo? Poderia apenas ser e viver, poderia me suportar nos meus irreparáveis deslizes, poderia aproveitar melhor os momentos felizes.

Ao me focar cegamente nas respostas, formulo as perguntas erradas... e me saio cada vez pior no remendo das histórias. Minha dúvida inquietante é: naturalidade e calma são conquistas do tempo, vêm com a maturidade interior ou nunca me livrarei desse aperto no peito?

(Descobri como conviver e "dobrar" os problemas mundanos e cotidianos, mas ainda não sei lidar com os emocionais. Tenho vontade de lágrimas.)

Seres e saberes

Eu nem sei bem o que ando por sentir. Às vezes é tão nítido e outras vezes me foge. Há uma espécie de saudade presencial – um túnel de vento no abdome, uma trava retida na garganta.

Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.
Sim, tristeza — mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a Ter.
Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó.
(Fernando Pessoa)

Nunca consegui lidar direito com as emoções. As conservo demais ou de menos. Faço grande caso, estardalhaço dentro do peito e tudo parece maior que meu corpo. Sofro pelo desconhecido e por antecedência – mais que pelo presente e pelo imediato.

Em outro momento, sou frio e seco. Nada me demove, nada me prende. E, então, me vejo perdido num caminho desabitado, solitário em meio aos meus devaneios – e carências.

Disfarça, tem gente olhando.
uns olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando
olhando ou sendo olhado
Outros olham pra baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.
(Paulo Leminski)

Talvez seja muita exigência minha. Ou grande ansiedade por querer tudo de uma só vez. As coisas se acertam sem eu, necessariamente, influenciá-las. Tudo tem seu tempo. De ser e de não ser. Preciso aprender a ter calma.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.
Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é
platéia e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade também.
(Ferreira Gullar)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Para uma amiga

"Atravesso o presente de olhos vendados, mal podendo pressentir aquilo que estou vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada, percebo o que foi vivido e compreendo o sentido do que se passou."
(Milan Kundera, de A Insustentável Leveza do Ser)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Fresta do futuro

Prestes a terminar mais um dia, sou aquecido pela imagem do pôr-do-sol no céu mágico de Brasília. Daqui a dois anos, quando retornar, não sei o que será. Pra onde vou? O que farei?

Mas, afinal, por que pensar nisso tudo agora?

Navegar é preciso

Bendito mundo maravilhoso do www. Louvada seja a ferramenta da internet. Uma salva de palmas para a Era da Informação. Ainda mais se o que você procura é ajuda para estudar no exterior.

Desde o início, o Orkut é um cardápio de opções. Escolheu o curso? Decidiu a cidade? Especificou a instituição? Pronto, acesse uma comunidade do famoso sítio de relacionamentos e se esbalde com tópicos explicativos e muitos usuários dispostos a responder quaisquer dúvidas. Faço parte da "Brasileiros em Lisboa" e "Universidade Nova de Lisboa". Até local para morar é capaz de eu já ter por causa dos contatos virtuais.

Ontem mesmo, um sujeito de nome Haryson ofereceu um quarto destinado a ele descolado por uma brasileira que mora em Lisboa. O rapaz não embarca no dia 25, conforme tinha planejado. Problemas de saúde na família. O espaço vago pode ser meu, caso eu queira.

Mas já tenho meus "corretores à distância". Nem pedi. Reservei cinco dias de albergue para ter tempo de procurar moradia para mim. Dia desses fiquei sabendo que tem gente – um grupo de estudantes que conheci pelo Orkut – de olho nos anúncios de aluguel. Se aparecer algo legal perto da data da minha chegada (4/10), piso em solo português com caneta na mão para assinar os papéis.

Navegar é preciso...

domingo, 21 de setembro de 2008

Metade do mundo perfeito

O CD não sai do som do carro. Uma música, em especial, me conquistou: Half the Perfect World. É o que vivo. Mas preciso buscar a outra metade – por ironia, achei que a fosse encontrar antes. As certezas raramente nos acompanham.

O destino dá muitas voltas. Perdoem o clichê, mas dá mesmo. E nos prega peças instigantes. "Eu, que não queria nada, hoje tenho tudo que sempre quis. É engraçada essa jornada, brincando de nos fazer feliz". São os versos de um poema qualquer.

Sem pedir, descobri a metade de meu mundo perfeito. Porém, às vezes, o momento das coisas parece não fazer sentido algum. Só parece...

sábado, 20 de setembro de 2008

Penúltimo domingo

A seca se foi em Brasília e o clima virou. Já começam a aparecer nuvens, o vento é nervoso e agora vem a temporada de chuvas por aqui. Deve ser por isso que tenho sentido uns calafrios – mais especificamente na região abdominal. Com certeza é a mudança do tempo.

Ontem me dirigia para encontrar três amigos. Enquanto levava o carro nas ruas com nomes de letras e números, procurando uma quadra comercial das 400 norte, pensava que a hora da viagem se aproxima. (Desculpem ser repetitivo nesta altura do blogue, mas nunca garanti que teriam coisas novas a cada texto publicado.)

Amanhã mesmo: é meu penúltimo domingo em solo brasileiro. E não estou com a mínima ansiedade do que irei encontrar lá. Quando chegar, me preocupo com isso. Antecipar como será em Lisboa beira a loucura – mas quem disse que sou são? A taquicardia é por deixar para trás as pessoas que gosto. E nem sei se o fato de não ter conseguido ir para Floripa, me despedir oficialmente dos "manézinhos", foi tão ruim assim... acho que meu coração não aguentaria.

Tudo bem, vou passar uma temporada simples de dois anos. É rápido. Mas é que acontece tanto nesse período. E tenho esse mal de quero viver tudo, com uma urgência devastadora. O certo é que lá também muita coisa acontecerá. E que sirva para aplacar esse meu ímpeto existencial.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Visto pra que te quero!

Foi tanta papelada reunida. Foram tantas visitas a prédio federais, a cartórios, ao Itamaraty, à Embaixada de Portugal. Vários contatos feito por telefone e internet, encomendas pelos correios. Percorri centenas de quilômetros pra cima e pra baixo, investi milhares de reais, torrei milhões de neurônios. Tudo isso para receber o visto de estudo/residência em Portugal, que saiu hoje.

É uma papelzinho verde, colado na terceira página do passaporte. Coisa pequena, com dados fundamentais e utilidade importantíssima. Essencial. Sem ele, tudo que foi gasto até agora – de tempo, dinheiro e anseios – teria sido em vão. O visto é meu comprovante de pisar tranqüilo em solo lusitano. Mais que isso: de permanência por pelo menos seis meses.

Estranho que o calhamaço de informações, documentos assinados e cheios de carimbos daqui e dali, acaba por se resumir num tíquete do tamanho de uma cédula de identidade. Somente quando o peguei na Seção Consular da Embaixada é que comecei a sentir o tal frio na barriga...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Viajante

Rubem Braga, para os que não conhecem, foi um cronista memorável. Sempre esteve nessa, de escrever para jornal esses textos tachados de "gênero menor". Sujeito simples de Cachoeiro do Itapemirim (ES), amava as mulheres, os pássaros, a natureza. Foi correspondente na II Guerra Mundial, viveu em Paris e Santiago do Chile, foi embaixador do Brasil em Marrocos.

Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.

Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique
.

Morreu há quase 18 anos no Rio de Janeiro, cidade em que morou grande parte de sua vida – esteve também em São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre. Na sua "literatura do cotidiano", é difícil apontar a melhor crônica. A cada tempo, a cada momento, me apaixono por uma.

Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida – e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio – você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.

Por ocasião, mostro hoje o texto que já está rolando ao longo deste post. Chama-se A Viajante. Rubem escreveu em abril de 1952 para uma amiga que diria adeus.

Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.

Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde – torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.

Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.

sábado, 13 de setembro de 2008

Na bagagem, a saudade

A mala começa a ser preparada. O que colocar dentro: jeans, camisetas, jaqueta, gorro, luvas, cuecas, livros, a saudade? Morar longe da família e dos amigos é umas maiores – e mais duras – privações que sentimos. É estar distante de quem amamos.

Esta pequena vida nômade me permite iniciar uma história a cada vez que aporto num lugar. Hoje falo da despedida de Brasília, das antigas e novas amizades. Uns meses atrás o abraço apertado foi naquelas figurinhas especiais de Floripa. Daqui a dois anos sei que estarei na mesma situação d'além mar. Sem contar os dois parceiraços que se mandaram para outras cidades e ajudaram a aumentar a estatística de lágrimas derramadas em aeroportos.

Engraçado que o adeus me ensinou a valorizar o "oi". Mais que isso, me estimula a dar mais "olás" por aí. A gente vai abrindo trilhas por este vasto mundo e criando vínculos. Talvez esse seja o propósito de tudo: a interação, a troca de experiências, a abrangência de visões.

Por isso, na bagagem, além das tralhas básicas, carregarei a saudade de todos que cortaram a frente do meu caminho e me forçaram para que os reparasse. São essas pessoas que me farão companhia nesta empreitada. Quando rir à-toa andando pela rua em pleno meio-dia ou chorar enquanto tomo um café sozinho, será nelas que estarei lembrando com carinho.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tempus fugit (2)

Minha agonia pela vida sempre foi grande. Começou por volta dos 15 anos. Passei a questionar padrões – coisa de adolescente, ao que parecia. Mais tarde, surgiram os primeiros sinais dos dilemas existenciais. Coisa comum na trajetória de um ser pensante. De quem não faz apenas turismo pela Terra.

Logo logo, estava questionando o nascer e morrer, o sentido de estarmos aqui e o tempo. Sim, o escasso tempo que dispomos para usufruir esta única encarnação. É assim que penso, mesmo que não queira mais pensar assim. A idéia já se apossou do idealizador.

Dia desses atrás, ela me falou que tenho muita urgência para tudo. Às vezes, urgência impensada, equivocada, imatura. Com o passar da idade, talvez tudo se equilibre. E, de fato, esta temporada na Europa me fará muito bem. Lentamente, venho tentando ser menos tenso, menos pesado, ansioso e impaciente. Para quem cresceu envolto nessa personalidade, a mudança não se dará de uma hora para outra.

No entanto, a sensação que tenho é que o "tempo foge" e meu refúgio, hoje, é a ousadia. Preciso pular de pára-quedas – enquanto posso, enquanto quero, enquanto dá. "Há tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo das travessias. E se não ousamos fazê-las teremos ficado pra sempre a beira de nós mesmos." (Fernando Pessoa)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Não tenho pressa

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.
Se estendo o braço, chego exatamente onde o meu braço chega
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não onde penso.
Só me posso sentar onde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.

(Fernando Pessoa)

domingo, 7 de setembro de 2008

Tempus fugit

A expressão em latim – do título – quer dizer "o tempo foge". Decidi por me mandar para Portugal em meados do ano passado. Justamente quando tinha (quase) tudo que sempre quis: apartamento, ótimos amigos, emprego na editoria de Esportes de um jornal. Aliado a isso, estava em uma cidade maravilhosa, que aprendi a admirar e amar: Florianópolis.

Porém faltava algo mais. Faltava completar essa vontade de viajar enquanto sou novo e não tenho vínculos consistentes – entende-se mulher e filhos. Faltava colocar em prática um sonho anterior à ida para Santa Catarina, experimentar a chance de viver uma nova cultura e ampliar os conhecimentos. Avisei meus pais da aventura, informei meus chefes da saga e comecei a me preparar psicologicamente – e com informações.

Foi mais ou menos um ano de contatos e acertos. Desde o começo, entretanto, exercitei minha paciência – algo que nunca andou muito comigo. Resolvi tratar as situações por etapa, passo a passo, sem atropelar nada ou antecipar qualquer coisa. Suportei por esse tempo todo. Agora que falta menos de um mês, o desafio é ainda maior. Mas serve de aprendizado. Sempre.

sábado, 6 de setembro de 2008

Dessa vez

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

De olho no visto

Foi hoje.

Deixei a documentação para tirar o visto ainda de manhã, na Seção Consular da Embaixada de Portugal. Não tem mistério: papelada organizada, tudo devidamente assinado, reconhecido em cartório, legalizado no Itamaraty. Uma burocracia e tanto, que basta superarmos para achar que nem era tudo isso.

Agora só preciso aguardar a resposta – como se "só aguardar" fosse muito simples. Me disseram que daqui a 10 dias é para eu entrar em contato com o setor e ver se está tudo certo. Por favor, nenhuma zica nesta altura do campeonato! Saindo o visto de estudo/residência, encerro esta etapa e minha cabeça consegue descansar um pouco.

Lógico que tenho corrido com exames médicos e organização do que irei levar. Essas coisas vão me acompanhar até a hora do embarque. Melhor mesmo é não adiantar nada. Carpe diem.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Encontros e desencontros

Falta um mês para a viagem e admito que apenas anteontem, pela primeira vez, alguns “adeuses” atravessaram fundo meu peito como uma adaga fria. Aconteceu antes de dormir, enquanto pensava muita coisa em tão pouco tempo. Um turbilhão de idéias, de antecipações, de dúvidas.

Ao voltar a Brasília – para matar a saudade da família, rever os amigos, ganhar fôlego, renovar as energias, conter gastos e arrumar um emprego que pagasse mais – não sabia que iria me envolver com tanta gente inesquecível. Tanta gente é modo de dizer.

Conheci três pessoas fenomenais no trabalho: Cynthia, Dani e Fábio. Daquelas que nos faz lamentar ainda mais a despedida e ter vontade de manter contato para sempre (por que não?). Estranho imaginar que vivemos momentos bons que podem ter se tornados únicos para sempre. Que talvez tenham passado e ficado somente na lembrança.

Foi Vinicius de Moraes quem escreveu: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Nessas minhas idas e vindas, criei amizades verdadeiras e eternas. Permitam-me citar um verso mais conhecido do poeta camarada: “Que seja infinito enquanto dure”.

Falta um mês para a viagem. E cada vez menos, cada vez menos, menos.